"Tudo o que é mau faz bem"
Esta afimação, exactamente como nos é apresentada, está errada.
O que se poderá dizer é que tudo o que é mau, contém em si uma oportunidade de fazer bem, mas apenas se a má experiencia for vivida, utilizada e aproveitada nesse sentido.
Partir do princípio que uma tecnologia (seja ela qual for - computador, fotografia, livro) é algo por si só tende a levar a um raciocínio enviesado.
Qualquer tecnologia, como produto do engenho humano, é apenas aquilo que o ser humano faz com ela. Enquanto um computador pode ser bom nas mãos de uma pessoa, nas mãos de outra pode não o ser.
Há sempre uma dependência do potêncial imaginativo e adaptativo do Homem que manobra a tecnologia em causa, logo uma tecnologia não se pode revestir de um carácter específico.
Pode, isso sim, um elemento dessa tecnologia (um computador, por exemplo) assumir um carácter bom ou mau, apenas segundo o seu utilizador no momento - no instante seguinte pode ser usado por outro que lhe atribua outro carácter.
Assumindo que os meios são uma extensão dos nossos sentidos, podemos compará-los com uma mão. Assim, tanto podemos usar a mão para apunhalar como a podemos usar para ajudar a levantar alguém do chão.
Partindo disto, podemos inferir em diversas direcções sobre o texto em análise, tantas quantas o ser humano consegue imaginar - o texto é em si mesmo tão propício a isso como qualquer outra tecnologia.
Exemplificarei com a seguinte:
Assim como agora assistimos ao choque resultante da massificação dos jogos de vídeo temos, por exemplo na conhecida obra de Cervantes que relata as aventuras de D. Quixote, uma situação em que os livros eram vistos como algo prejudicial.
D. Quixote terá enlouquecido após ler exaustiva e exageradamente uma grande porção de novelas de cavalaria.
Dois seus amigos, para o protegerem de si mesmo, queimam o conteúdo da sua biblioteca.
Não estaremos aqui perante uma reacção semelhante (não na queima, como é óbvio) àquela que os Pais têm quando proíbem os seus filhos de jogar jogos de vídeo?
Claro que noutra proporção, mas é bem visível a semelhança de mecanismos.
O que nos parecia um novo duelo de valores não é, afinal, mais que uma velha questão com novas roupagens, que foi sendo repetida sucessivamente ao longo dos tempos.
A diferença mais substâncial é que, nos tempos que correm, em vez de haver um impacto localizado das questões, esse impacto assume uma dimensão global - fruto dos meios de comunicação existentes actualmente, quase instantâneos.
Outro exemplos se podem citar, para que não restem dúvidas, tais como a fotografia, que ao tempo do seu aparecimento e divulgação se julgou uma corrente underground para aqueles que não conseguiam ter os dotes necessários à pintura. Eram assim vistos como inferiores que se socorriam de "facilitismos tecnológicos" para colmatar a sua falta de talento. Poucos assumiriam naquele tempo que se estava perante a emergência de uma nova arte - a Fotografia - que nos dias de hoje é tão respeitada como a pintura.
Esta afimação, exactamente como nos é apresentada, está errada.
O que se poderá dizer é que tudo o que é mau, contém em si uma oportunidade de fazer bem, mas apenas se a má experiencia for vivida, utilizada e aproveitada nesse sentido.
Partir do princípio que uma tecnologia (seja ela qual for - computador, fotografia, livro) é algo por si só tende a levar a um raciocínio enviesado.
Qualquer tecnologia, como produto do engenho humano, é apenas aquilo que o ser humano faz com ela. Enquanto um computador pode ser bom nas mãos de uma pessoa, nas mãos de outra pode não o ser.
Há sempre uma dependência do potêncial imaginativo e adaptativo do Homem que manobra a tecnologia em causa, logo uma tecnologia não se pode revestir de um carácter específico.
Pode, isso sim, um elemento dessa tecnologia (um computador, por exemplo) assumir um carácter bom ou mau, apenas segundo o seu utilizador no momento - no instante seguinte pode ser usado por outro que lhe atribua outro carácter.
Assumindo que os meios são uma extensão dos nossos sentidos, podemos compará-los com uma mão. Assim, tanto podemos usar a mão para apunhalar como a podemos usar para ajudar a levantar alguém do chão.
Partindo disto, podemos inferir em diversas direcções sobre o texto em análise, tantas quantas o ser humano consegue imaginar - o texto é em si mesmo tão propício a isso como qualquer outra tecnologia.
Exemplificarei com a seguinte:
Assim como agora assistimos ao choque resultante da massificação dos jogos de vídeo temos, por exemplo na conhecida obra de Cervantes que relata as aventuras de D. Quixote, uma situação em que os livros eram vistos como algo prejudicial.
D. Quixote terá enlouquecido após ler exaustiva e exageradamente uma grande porção de novelas de cavalaria.
Dois seus amigos, para o protegerem de si mesmo, queimam o conteúdo da sua biblioteca.
Não estaremos aqui perante uma reacção semelhante (não na queima, como é óbvio) àquela que os Pais têm quando proíbem os seus filhos de jogar jogos de vídeo?
Claro que noutra proporção, mas é bem visível a semelhança de mecanismos.
O que nos parecia um novo duelo de valores não é, afinal, mais que uma velha questão com novas roupagens, que foi sendo repetida sucessivamente ao longo dos tempos.
A diferença mais substâncial é que, nos tempos que correm, em vez de haver um impacto localizado das questões, esse impacto assume uma dimensão global - fruto dos meios de comunicação existentes actualmente, quase instantâneos.
Outro exemplos se podem citar, para que não restem dúvidas, tais como a fotografia, que ao tempo do seu aparecimento e divulgação se julgou uma corrente underground para aqueles que não conseguiam ter os dotes necessários à pintura. Eram assim vistos como inferiores que se socorriam de "facilitismos tecnológicos" para colmatar a sua falta de talento. Poucos assumiriam naquele tempo que se estava perante a emergência de uma nova arte - a Fotografia - que nos dias de hoje é tão respeitada como a pintura.
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