quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Interactividade, comunicação digital e outras "modernices" confusas

A interactividade é todo e qualquer processo de comunicação, seja com outros seres humanos, seja com, por exemplo, programas de computador que, embora inanimados, são interactivos na medida em que reagem aos nossos comandos ou inputs de informação e em resposta a estes nos dão nova informação (que pode, inclusive, suscitar novos inputs da nossa parte, um pouco como uma conversa).
O surgimento e massificação da comunicação digital veio aumentar grandemente o grau de interactividade do nosso quotidiano. Assim, embora muito do que nos foi trazido seja supérfluo, tivemos que nos adaptar à nova realidade fazendo um esforço.
Este apresentou-se em duas vertentes:
- Esforço técnico, para aprendermos a controlar (rato, teclado, etc.) as novas tecnologias – literacia digital;
- Esforço de aumento na capacidade de selecção e filtragem da informação que nos chega. Esta aumentou exponencialmente em quantidade com a introdução dos novos meios de comunicação, que facilitaram especialmente a divulgação de informação a nível global.
Com um aumento tão grande da informação disponível é necessário afinar os mecanismos de selecção daquela que nos é relevante.

A interactividade, embora seja relacionada (especialmente na publicidade) com instantaneidade, esta não é, de todo, uma condição necessária à sua existência.
Uma carta é tão interactiva quanto a resposta de um amigo num programa de chat, no ecrã do mais recente computador.
Assim, ser “interactivo” já não é de agora, embora seja mais fácil sê-lo em tempo real e a longas distâncias nos tempos que correm, graças à massificação das tecnologias de informação e comunicação.

Hoje apenas dispomos de mais ferramentas para interagir em tempo real, logo, a interactividade depende dos indivíduos que comunicam. Suponhamos um escritor: se ele escrever um livro inteiro e o guardar para si, este nunca será interactivo – posto que não há um interlocutor, que possa receber a informação e pronunciar-se sobre ela – mas se o publicar, tornar-se-á interactivo – permitindo que outros o leiam, reflictam e o comentem. Podemos ver que a interactividade não está contida somente no meio, mas na maneira como o indivíduo faz uso dele.
Naturalmente, para haver interactividade, é necessário que haja exteriorização de ideias, que haja comunicação (seja sob que forma for). Apenas assim se poderá obter reacções de outros à nossa volta acerca do que comunicamos.
Pode-se mesmo afirmar que a interactividade é uma característica da sociedade (entenda-se aqui sociedade por contacto estabelecido entre dois ou mais seres humanos).
A comunicação, essencial à interacção humana, pode ser mais ou menos controlada mediante treino do seu uso. Aqui a comunicação digital não foge à regra, sendo mais ou menos controlável consoante a aptidão do comunicador em causa e os meios digitais que usa (imagem, som, vídeo, texto, etc.).
O factor menos controlável na comunicação digital é o seu alcance. Tomemos por exemplo uma informação colocada num site da Internet. Dificilmente se pode “seleccionar” quem tem acesso a ela. Há, então, que ter maior cuidado em definir com a máxima exactidão a informação que se veicula.
Esta é, simultaneamente, a maior vantagem e a maior desvantagem da comunicação digital (pelas razões já enunciadas). Um outro factor que pode jogar em seu desfavor é a necessidade de acesso a tecnologia para poder comunicar desta forma. Este facto exclui uma grande parte da população mundial desta forma de comunicação.
Por outro lado, como reverso da medalha temos o aliciante de que a crescente tendência para a baixa de preços das tecnologias de informação e comunicação vai facilitando cada vez mais o acesso a estas por populações menos abastadas (e creio que devemos ser optimistas em relação ao futuro da humanidade, devendo não só procurar, mas também divulgar um tempo em que todos sejam mais contemplados pelos recursos globais).
Claro que esta comunicação verdadeiramente global pode ser tida como uma ameaça, já que tudo ecoará por todo o lado, e qualquer pessoa poderá opinar sobre as mais variadas matérias.
É perigosa? Sim, mas especialmente quando usada de forma a procurar fazer mal. Se for usada em prol do desenvolvimento e da justiça, espera-se que apesar de choques ideológicos e outros percalços mais graves (que certamente surgirão), nos aproxime desses ideais, e que a confluência de diferentes pontos de vista traga riqueza pela sua diferença, e abra caminho a novas e melhores soluções para os problemas do Mundo, e em especial, da Humanidade.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Apresentação

Ao 19º dia do mês de Setembro do corrente ano de 2007, foi fundado o presente Blogue, por dois alunos da cadeira de Comunicação Digital.
Luís Mota e João Pires, constituindo-se como grupo de trabalho, foram desta tarefa incumbidos pela Docente da cadeira.

Após criteriosa escolha de um tema que a ambos aprouvesse, foi encetado o apuramento do título a usar como marca deste Blogue.
Foi tomado como ponto de partida o gosto, comum aos membros, pela música e havendo-se pesquisado por nomes de canções, optou-se por "Gente em Pó", título da extinta banda "Ornatos Violeta".

Como projecto académico que este é, propomo-nos a apresentar, juntamente com as solicitações feitas pela Docente responsável, tudo o que seja tido como relevante na sociedade actual e, também, com especial atenção ao que concerne à cadeira.

Com o intuito de dar maior enfoque ao conteúdo do que aqui for publicado, optou-se por um layout e um esquema de cores sóbrio e minimalista, criando assim um ambiente propício a uma comunicação mais directa. Em suma, pretende-se manter assim os leitores mais ligados ao assunto desenvolvido.


LM & JP