quarta-feira, 21 de novembro de 2007

A Maldição(?) do PowerPoint.

Após a leitura dos artigos indicados ( "PowerPoint is Evil" de Edward Tufte, e "PowerPoint Makes You Dumb" de Clive Thompson) concluímos que, se por um lado os autores têm razão, por outro exageram nas elações que tiram.
As apresentações com recurso a slides, provocam um resumo da informação apresentada - para esta poder figurar nos slides. Assim, cabe ao orador o imprescindível papel de estabelecer as ligações entre os tópicos expostos - cabendo-lhe também a importante expansão dos mesmos, já que são um resumo - fulcrais à compreensão do assunto apresentado, por parte da audiência.
O maior erro apontado por ambos os autores é o resumo excessivo da informação a apresentar. Em lugar de um resumo que se foque no essencial, deixando a restante informação para ser explanada pelo orador, temos resumos que se centram em "caber num slide". Há uma excessiva adequação da informação ao meio que a veicula, a um ponto estupidificante. Contudo, para nós, isto só chega a este ponto se a desatenção por parte do orador, aquando da construção dos slides para a apresentação, for tal que o ofusca no seu papel como transmissor de conhecimento.
No entanto, como em tudo, há sempre dois lados da mesma moeda, e aqui (especialmente no segundo artigo) é dado um grande ênfase, na nossa opinião, hiperbolizado, apenas ao lado negativo. Obviamente, o uso da tecnologia vai depender das mãos que a trabalham.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

What the Web Is For.

O texto que iremos comentar tem como o mote principal explicar para quê que a internet serve. Quais os seus usos, os motivos que nos levam a interligar com outras pessoas. Estabelece também uma comparação curiosa acerca da web e do mundo real ou físico. Esta comparação serviu para demonstrar o que nos proporciona a web, visto que o autor considera que o mundo real nos enche de limitações fisicas, mas nunca se esquece também que mesmo no mundo real nós nos interligamos com outras pessoas, no entanto essa ligação nunca deixa de estar limitada no espaço e no tempo, na medida em que, por exemplo, no caso dos vizinhos e dos nossos familiares, podemos passar semanas sem os ver e sem falar com eles, e para isso acontecer ou os encontramos casualmente na rua ou enviamos uma carta ou em ultima instância telefonamos ou enviamos uma sms.

Assim, consideramos que o texto em questão é interactivista, na medida em que toda a sua descrição da internet/web tem como fundamentos principais: a relação entre os seres humanos, a preocupação interpessoal, sentimento este que é fundamentalmente humano, a forma como as pessoas se relacionam através dos chatrooms e dos e-mails. É este elemento de socialização e de coesão de grupos sociais que procuram os mesmo interesses que nos faz caracterizar o autor como sendo interactivista, por que segundo a teoria interactivista o grupo social é a variável independente, ou seja, é o que se mantém sempre acima de tudo o resto.

Continuando a análise à teoria interactivista, podemos considerar que segundo o texto proposto para análise, a tecnologia é a causa e a consequência,
tal como o autor David Weinberger diz: "it gave us chat rooms, and instant messaging. You and a friend could even set up web video cameras and wave to each other online", ou seja, deu-nos a capacidade de podermos usufruir desta tecnologia e a consequência é, para o autor, a capacidade de nós, como seres humanos, nos preocuparmos com certos assuntos e através da internet surgir-nos a possibilidade de interagirmos com pessoas que partilham dos mesmos interesses, algo que se não tivessemos acesso à internet e a estas tecnologias nunca nos seria possível fazer a não ser que fizessemos viagens de longo curso, ou mesmo mudar de país. Por exemplo uma pessoa que seja interessada por desportos de inverno e que vive numa zona com o clima ameno ou mesmo tropical nunca poderia ter acesso a esta informação se as tecnologias não tivessem evoluido desta forma. Não deixa de ser obvio que a prática do desporto irá implicar sempre a deslocação do indivíduo, no entanto este pode relacionar-se com pessoas que partilhem do mesmo interesse que ele mesmo que no grupo de pares dele não possamos encontrar ninguém com o mesmo gosto pelos desportos de inverno. Este exemplo também se pode aplicar ao que Manuel Castells nos diz quando afirma que a sociedade não determina a transformação tecnológica nem a tecnologia determirna o evoluir das sociedades, na medida em que no exemplo dado o que a tecnologia faz é proporcionar ao individuo a possibilidade de ele manter o interesse por aquele desporto e ao mesmo não o limita, visto que ele pode sempre ir pratica-lo.

Ainda seguindo a linha de Weinberger, este, mais uma vez, tem uma opinião de concordância com Manuel Castells, no sentido em que, quando afirma que: "The real world is about distances keeping people apart. The Web is about shared interests bringing people together." está de uma forma bastante concisa e directa a dizer que a web não substitui o mundo real nem o oposto acontece, simplesmente são diferentes e a web é simplesmente mais uma alternativa que facilita a vida de todos os que optam por usa-la.