A última tarefa que nos foi pedida na aula, além deste comentário, foi a criação de uma comunidade virtual, no espaço http://www.communityzero.com .
Vimos aqui falar das diferenças entre estes dois modos de interacção na Internet.
Quando criamos um blog, mesmo pretendendo que ele chegue "a todo o lado", estamos a assumir-nos como "donos" do seu espaço. Podemos abrir as discussões aos leitores, mas estes serão sempre isso mesmo, leitores, e nunca verdadeiros criadores de conteúdos. É de realçar também o poder de selecção e "censura" - no sentido em que podem aceitar ou rejeitar os comentários - do autor do blog.
Por outro lado, numa comunidade, como o próprio nome indica, há algo em comum entre todos os membros. Para começar, o facto de haver membros, em vez de leitores, estabelece desde logo um grau de partilha e interacção muito maior. Na comunidade, ao contrário do blog, é suposto haver troca de conhecimentos, ficheiros, opiniões, imagens... Há uma experiência comum e partilhada. Recorrerão a uma comunidade, em princípio, quem comungue dos mesmos interesses que os fundadores. Estes, embora se possam considerar "membros privilegiados" são também, à partida, os mais interessados na troca de ideias, levando-os a não censurar comentários, ainda que dicscordantes da sua opinião.
Centremo-nos agora na comunidade.
A sua criação não foi muito intuitiva, no que toca a facilidade de criação/personalização do espaço.
Começando em menus utilizáveis, mas pouco práticos, passando pela pouca capacidade de armazenagem de ficheiros e pela má organização do espaço final (que é predefinida pelo site), há vários aspectos que, com o devido tempo, seriam de melhoria imperativa.
O objectivo pricipal, a criação da comunidade e verificação do seu funcionamento, foi alcançado, não deixando, no entanto, de deixar, este modelo, bastante a desejar.
Uma reorganização das discussões e respectivos comentários, de forma mais lógica e enquadrante para os novos membros seria, talvez o aspecto mais importante de concretizar num plano de acção para o futuro.
Seguidamente, seria essencial disponibilizar mais espaço para partilha de ficheiros, por forma a tornar esta realizável - tendo em conta os actuias tamanhos de músicas, filmes, imagens, etc.
Outros as pectos se seguiriam, mas certamente menos relevantes que estes, podendo ser considerados secundários ou mesmo supérfluos. Podeiram ser enquadrados num embelezamento do espaço, mais do que na sua funcionalidade.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
"Crises de valores?"
"Tudo o que é mau faz bem"
Esta afimação, exactamente como nos é apresentada, está errada.
O que se poderá dizer é que tudo o que é mau, contém em si uma oportunidade de fazer bem, mas apenas se a má experiencia for vivida, utilizada e aproveitada nesse sentido.
Partir do princípio que uma tecnologia (seja ela qual for - computador, fotografia, livro) é algo por si só tende a levar a um raciocínio enviesado.
Qualquer tecnologia, como produto do engenho humano, é apenas aquilo que o ser humano faz com ela. Enquanto um computador pode ser bom nas mãos de uma pessoa, nas mãos de outra pode não o ser.
Há sempre uma dependência do potêncial imaginativo e adaptativo do Homem que manobra a tecnologia em causa, logo uma tecnologia não se pode revestir de um carácter específico.
Pode, isso sim, um elemento dessa tecnologia (um computador, por exemplo) assumir um carácter bom ou mau, apenas segundo o seu utilizador no momento - no instante seguinte pode ser usado por outro que lhe atribua outro carácter.
Assumindo que os meios são uma extensão dos nossos sentidos, podemos compará-los com uma mão. Assim, tanto podemos usar a mão para apunhalar como a podemos usar para ajudar a levantar alguém do chão.
Partindo disto, podemos inferir em diversas direcções sobre o texto em análise, tantas quantas o ser humano consegue imaginar - o texto é em si mesmo tão propício a isso como qualquer outra tecnologia.
Exemplificarei com a seguinte:
Assim como agora assistimos ao choque resultante da massificação dos jogos de vídeo temos, por exemplo na conhecida obra de Cervantes que relata as aventuras de D. Quixote, uma situação em que os livros eram vistos como algo prejudicial.
D. Quixote terá enlouquecido após ler exaustiva e exageradamente uma grande porção de novelas de cavalaria.
Dois seus amigos, para o protegerem de si mesmo, queimam o conteúdo da sua biblioteca.
Não estaremos aqui perante uma reacção semelhante (não na queima, como é óbvio) àquela que os Pais têm quando proíbem os seus filhos de jogar jogos de vídeo?
Claro que noutra proporção, mas é bem visível a semelhança de mecanismos.
O que nos parecia um novo duelo de valores não é, afinal, mais que uma velha questão com novas roupagens, que foi sendo repetida sucessivamente ao longo dos tempos.
A diferença mais substâncial é que, nos tempos que correm, em vez de haver um impacto localizado das questões, esse impacto assume uma dimensão global - fruto dos meios de comunicação existentes actualmente, quase instantâneos.
Outro exemplos se podem citar, para que não restem dúvidas, tais como a fotografia, que ao tempo do seu aparecimento e divulgação se julgou uma corrente underground para aqueles que não conseguiam ter os dotes necessários à pintura. Eram assim vistos como inferiores que se socorriam de "facilitismos tecnológicos" para colmatar a sua falta de talento. Poucos assumiriam naquele tempo que se estava perante a emergência de uma nova arte - a Fotografia - que nos dias de hoje é tão respeitada como a pintura.
Esta afimação, exactamente como nos é apresentada, está errada.
O que se poderá dizer é que tudo o que é mau, contém em si uma oportunidade de fazer bem, mas apenas se a má experiencia for vivida, utilizada e aproveitada nesse sentido.
Partir do princípio que uma tecnologia (seja ela qual for - computador, fotografia, livro) é algo por si só tende a levar a um raciocínio enviesado.
Qualquer tecnologia, como produto do engenho humano, é apenas aquilo que o ser humano faz com ela. Enquanto um computador pode ser bom nas mãos de uma pessoa, nas mãos de outra pode não o ser.
Há sempre uma dependência do potêncial imaginativo e adaptativo do Homem que manobra a tecnologia em causa, logo uma tecnologia não se pode revestir de um carácter específico.
Pode, isso sim, um elemento dessa tecnologia (um computador, por exemplo) assumir um carácter bom ou mau, apenas segundo o seu utilizador no momento - no instante seguinte pode ser usado por outro que lhe atribua outro carácter.
Assumindo que os meios são uma extensão dos nossos sentidos, podemos compará-los com uma mão. Assim, tanto podemos usar a mão para apunhalar como a podemos usar para ajudar a levantar alguém do chão.
Partindo disto, podemos inferir em diversas direcções sobre o texto em análise, tantas quantas o ser humano consegue imaginar - o texto é em si mesmo tão propício a isso como qualquer outra tecnologia.
Exemplificarei com a seguinte:
Assim como agora assistimos ao choque resultante da massificação dos jogos de vídeo temos, por exemplo na conhecida obra de Cervantes que relata as aventuras de D. Quixote, uma situação em que os livros eram vistos como algo prejudicial.
D. Quixote terá enlouquecido após ler exaustiva e exageradamente uma grande porção de novelas de cavalaria.
Dois seus amigos, para o protegerem de si mesmo, queimam o conteúdo da sua biblioteca.
Não estaremos aqui perante uma reacção semelhante (não na queima, como é óbvio) àquela que os Pais têm quando proíbem os seus filhos de jogar jogos de vídeo?
Claro que noutra proporção, mas é bem visível a semelhança de mecanismos.
O que nos parecia um novo duelo de valores não é, afinal, mais que uma velha questão com novas roupagens, que foi sendo repetida sucessivamente ao longo dos tempos.
A diferença mais substâncial é que, nos tempos que correm, em vez de haver um impacto localizado das questões, esse impacto assume uma dimensão global - fruto dos meios de comunicação existentes actualmente, quase instantâneos.
Outro exemplos se podem citar, para que não restem dúvidas, tais como a fotografia, que ao tempo do seu aparecimento e divulgação se julgou uma corrente underground para aqueles que não conseguiam ter os dotes necessários à pintura. Eram assim vistos como inferiores que se socorriam de "facilitismos tecnológicos" para colmatar a sua falta de talento. Poucos assumiriam naquele tempo que se estava perante a emergência de uma nova arte - a Fotografia - que nos dias de hoje é tão respeitada como a pintura.
Subscrever:
Mensagens (Atom)