domingo, 23 de dezembro de 2007

Escrever romances no telemóvel?

De acordo com este site parece que a moda pegou no Japão e metade do top10 de vendas de livros de ficção foi redigido no nosso pequeno dispositivo que julgávamos servir apenas para enviar SMS ou fazer chamadas. O caso de maior sucesso de acordo com o site, é o de uma jovem de 21 anos que já vendeu mais de 420 milhares de cópias, superando o "mestre" Dostoevsky, que mesmo assim vendeu 300 mil cópias! Mas o mais curioso é repararmos na integração que as tecnologias levam na sociedade actual ao ponto de se escreverem livros no telemóvel! Não deixa de ser inovador e ao mesmo tempo surpreendente!

Boas Festas e Boas Entradas!

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

A Maldição(?) do PowerPoint.

Após a leitura dos artigos indicados ( "PowerPoint is Evil" de Edward Tufte, e "PowerPoint Makes You Dumb" de Clive Thompson) concluímos que, se por um lado os autores têm razão, por outro exageram nas elações que tiram.
As apresentações com recurso a slides, provocam um resumo da informação apresentada - para esta poder figurar nos slides. Assim, cabe ao orador o imprescindível papel de estabelecer as ligações entre os tópicos expostos - cabendo-lhe também a importante expansão dos mesmos, já que são um resumo - fulcrais à compreensão do assunto apresentado, por parte da audiência.
O maior erro apontado por ambos os autores é o resumo excessivo da informação a apresentar. Em lugar de um resumo que se foque no essencial, deixando a restante informação para ser explanada pelo orador, temos resumos que se centram em "caber num slide". Há uma excessiva adequação da informação ao meio que a veicula, a um ponto estupidificante. Contudo, para nós, isto só chega a este ponto se a desatenção por parte do orador, aquando da construção dos slides para a apresentação, for tal que o ofusca no seu papel como transmissor de conhecimento.
No entanto, como em tudo, há sempre dois lados da mesma moeda, e aqui (especialmente no segundo artigo) é dado um grande ênfase, na nossa opinião, hiperbolizado, apenas ao lado negativo. Obviamente, o uso da tecnologia vai depender das mãos que a trabalham.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

What the Web Is For.

O texto que iremos comentar tem como o mote principal explicar para quê que a internet serve. Quais os seus usos, os motivos que nos levam a interligar com outras pessoas. Estabelece também uma comparação curiosa acerca da web e do mundo real ou físico. Esta comparação serviu para demonstrar o que nos proporciona a web, visto que o autor considera que o mundo real nos enche de limitações fisicas, mas nunca se esquece também que mesmo no mundo real nós nos interligamos com outras pessoas, no entanto essa ligação nunca deixa de estar limitada no espaço e no tempo, na medida em que, por exemplo, no caso dos vizinhos e dos nossos familiares, podemos passar semanas sem os ver e sem falar com eles, e para isso acontecer ou os encontramos casualmente na rua ou enviamos uma carta ou em ultima instância telefonamos ou enviamos uma sms.

Assim, consideramos que o texto em questão é interactivista, na medida em que toda a sua descrição da internet/web tem como fundamentos principais: a relação entre os seres humanos, a preocupação interpessoal, sentimento este que é fundamentalmente humano, a forma como as pessoas se relacionam através dos chatrooms e dos e-mails. É este elemento de socialização e de coesão de grupos sociais que procuram os mesmo interesses que nos faz caracterizar o autor como sendo interactivista, por que segundo a teoria interactivista o grupo social é a variável independente, ou seja, é o que se mantém sempre acima de tudo o resto.

Continuando a análise à teoria interactivista, podemos considerar que segundo o texto proposto para análise, a tecnologia é a causa e a consequência,
tal como o autor David Weinberger diz: "it gave us chat rooms, and instant messaging. You and a friend could even set up web video cameras and wave to each other online", ou seja, deu-nos a capacidade de podermos usufruir desta tecnologia e a consequência é, para o autor, a capacidade de nós, como seres humanos, nos preocuparmos com certos assuntos e através da internet surgir-nos a possibilidade de interagirmos com pessoas que partilham dos mesmos interesses, algo que se não tivessemos acesso à internet e a estas tecnologias nunca nos seria possível fazer a não ser que fizessemos viagens de longo curso, ou mesmo mudar de país. Por exemplo uma pessoa que seja interessada por desportos de inverno e que vive numa zona com o clima ameno ou mesmo tropical nunca poderia ter acesso a esta informação se as tecnologias não tivessem evoluido desta forma. Não deixa de ser obvio que a prática do desporto irá implicar sempre a deslocação do indivíduo, no entanto este pode relacionar-se com pessoas que partilhem do mesmo interesse que ele mesmo que no grupo de pares dele não possamos encontrar ninguém com o mesmo gosto pelos desportos de inverno. Este exemplo também se pode aplicar ao que Manuel Castells nos diz quando afirma que a sociedade não determina a transformação tecnológica nem a tecnologia determirna o evoluir das sociedades, na medida em que no exemplo dado o que a tecnologia faz é proporcionar ao individuo a possibilidade de ele manter o interesse por aquele desporto e ao mesmo não o limita, visto que ele pode sempre ir pratica-lo.

Ainda seguindo a linha de Weinberger, este, mais uma vez, tem uma opinião de concordância com Manuel Castells, no sentido em que, quando afirma que: "The real world is about distances keeping people apart. The Web is about shared interests bringing people together." está de uma forma bastante concisa e directa a dizer que a web não substitui o mundo real nem o oposto acontece, simplesmente são diferentes e a web é simplesmente mais uma alternativa que facilita a vida de todos os que optam por usa-la.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Uma comunidade ou um blogue?

A última tarefa que nos foi pedida na aula, além deste comentário, foi a criação de uma comunidade virtual, no espaço http://www.communityzero.com .
Vimos aqui falar das diferenças entre estes dois modos de interacção na Internet.
Quando criamos um blog, mesmo pretendendo que ele chegue "a todo o lado", estamos a assumir-nos como "donos" do seu espaço. Podemos abrir as discussões aos leitores, mas estes serão sempre isso mesmo, leitores, e nunca verdadeiros criadores de conteúdos. É de realçar também o poder de selecção e "censura" - no sentido em que podem aceitar ou rejeitar os comentários - do autor do blog.
Por outro lado, numa comunidade, como o próprio nome indica, há algo em comum entre todos os membros. Para começar, o facto de haver membros, em vez de leitores, estabelece desde logo um grau de partilha e interacção muito maior. Na comunidade, ao contrário do blog, é suposto haver troca de conhecimentos, ficheiros, opiniões, imagens... Há uma experiência comum e partilhada. Recorrerão a uma comunidade, em princípio, quem comungue dos mesmos interesses que os fundadores. Estes, embora se possam considerar "membros privilegiados" são também, à partida, os mais interessados na troca de ideias, levando-os a não censurar comentários, ainda que dicscordantes da sua opinião.

Centremo-nos agora na comunidade.
A sua criação não foi muito intuitiva, no que toca a facilidade de criação/personalização do espaço.
Começando em menus utilizáveis, mas pouco práticos, passando pela pouca capacidade de armazenagem de ficheiros e pela má organização do espaço final (que é predefinida pelo site), há vários aspectos que, com o devido tempo, seriam de melhoria imperativa.
O objectivo pricipal, a criação da comunidade e verificação do seu funcionamento, foi alcançado, não deixando, no entanto, de deixar, este modelo, bastante a desejar.
Uma reorganização das discussões e respectivos comentários, de forma mais lógica e enquadrante para os novos membros seria, talvez o aspecto mais importante de concretizar num plano de acção para o futuro.
Seguidamente, seria essencial disponibilizar mais espaço para partilha de ficheiros, por forma a tornar esta realizável - tendo em conta os actuias tamanhos de músicas, filmes, imagens, etc.
Outros as pectos se seguiriam, mas certamente menos relevantes que estes, podendo ser considerados secundários ou mesmo supérfluos. Podeiram ser enquadrados num embelezamento do espaço, mais do que na sua funcionalidade.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

"Crises de valores?"

"Tudo o que é mau faz bem"
Esta afimação, exactamente como nos é apresentada, está errada.
O que se poderá dizer é que tudo o que é mau, contém em si uma oportunidade de fazer bem, mas apenas se a má experiencia for vivida, utilizada e aproveitada nesse sentido.

Partir do princípio que uma tecnologia (seja ela qual for - computador, fotografia, livro) é algo por si só tende a levar a um raciocínio enviesado.
Qualquer tecnologia, como produto do engenho humano, é apenas aquilo que o ser humano faz com ela. Enquanto um computador pode ser bom nas mãos de uma pessoa, nas mãos de outra pode não o ser.
Há sempre uma dependência do potêncial imaginativo e adaptativo do Homem que manobra a tecnologia em causa, logo uma tecnologia não se pode revestir de um carácter específico.
Pode, isso sim, um elemento dessa tecnologia (um computador, por exemplo) assumir um carácter bom ou mau, apenas segundo o seu utilizador no momento - no instante seguinte pode ser usado por outro que lhe atribua outro carácter.
Assumindo que os meios são uma extensão dos nossos sentidos, podemos compará-los com uma mão. Assim, tanto podemos usar a mão para apunhalar como a podemos usar para ajudar a levantar alguém do chão.

Partindo disto, podemos inferir em diversas direcções sobre o texto em análise, tantas quantas o ser humano consegue imaginar - o texto é em si mesmo tão propício a isso como qualquer outra tecnologia.
Exemplificarei com a seguinte:

Assim como agora assistimos ao choque resultante da massificação dos jogos de vídeo temos, por exemplo na conhecida obra de Cervantes que relata as aventuras de D. Quixote, uma situação em que os livros eram vistos como algo prejudicial.
D. Quixote terá enlouquecido após ler exaustiva e exageradamente uma grande porção de novelas de cavalaria.
Dois seus amigos, para o protegerem de si mesmo, queimam o conteúdo da sua biblioteca.
Não estaremos aqui perante uma reacção semelhante (não na queima, como é óbvio) àquela que os Pais têm quando proíbem os seus filhos de jogar jogos de vídeo?
Claro que noutra proporção, mas é bem visível a semelhança de mecanismos.
O que nos parecia um novo duelo de valores não é, afinal, mais que uma velha questão com novas roupagens, que foi sendo repetida sucessivamente ao longo dos tempos.
A diferença mais substâncial é que, nos tempos que correm, em vez de haver um impacto localizado das questões, esse impacto assume uma dimensão global - fruto dos meios de comunicação existentes actualmente, quase instantâneos.
Outro exemplos se podem citar, para que não restem dúvidas, tais como a fotografia, que ao tempo do seu aparecimento e divulgação se julgou uma corrente underground para aqueles que não conseguiam ter os dotes necessários à pintura. Eram assim vistos como inferiores que se socorriam de "facilitismos tecnológicos" para colmatar a sua falta de talento. Poucos assumiriam naquele tempo que se estava perante a emergência de uma nova arte - a Fotografia - que nos dias de hoje é tão respeitada como a pintura.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Interactividade, comunicação digital e outras "modernices" confusas

A interactividade é todo e qualquer processo de comunicação, seja com outros seres humanos, seja com, por exemplo, programas de computador que, embora inanimados, são interactivos na medida em que reagem aos nossos comandos ou inputs de informação e em resposta a estes nos dão nova informação (que pode, inclusive, suscitar novos inputs da nossa parte, um pouco como uma conversa).
O surgimento e massificação da comunicação digital veio aumentar grandemente o grau de interactividade do nosso quotidiano. Assim, embora muito do que nos foi trazido seja supérfluo, tivemos que nos adaptar à nova realidade fazendo um esforço.
Este apresentou-se em duas vertentes:
- Esforço técnico, para aprendermos a controlar (rato, teclado, etc.) as novas tecnologias – literacia digital;
- Esforço de aumento na capacidade de selecção e filtragem da informação que nos chega. Esta aumentou exponencialmente em quantidade com a introdução dos novos meios de comunicação, que facilitaram especialmente a divulgação de informação a nível global.
Com um aumento tão grande da informação disponível é necessário afinar os mecanismos de selecção daquela que nos é relevante.

A interactividade, embora seja relacionada (especialmente na publicidade) com instantaneidade, esta não é, de todo, uma condição necessária à sua existência.
Uma carta é tão interactiva quanto a resposta de um amigo num programa de chat, no ecrã do mais recente computador.
Assim, ser “interactivo” já não é de agora, embora seja mais fácil sê-lo em tempo real e a longas distâncias nos tempos que correm, graças à massificação das tecnologias de informação e comunicação.

Hoje apenas dispomos de mais ferramentas para interagir em tempo real, logo, a interactividade depende dos indivíduos que comunicam. Suponhamos um escritor: se ele escrever um livro inteiro e o guardar para si, este nunca será interactivo – posto que não há um interlocutor, que possa receber a informação e pronunciar-se sobre ela – mas se o publicar, tornar-se-á interactivo – permitindo que outros o leiam, reflictam e o comentem. Podemos ver que a interactividade não está contida somente no meio, mas na maneira como o indivíduo faz uso dele.
Naturalmente, para haver interactividade, é necessário que haja exteriorização de ideias, que haja comunicação (seja sob que forma for). Apenas assim se poderá obter reacções de outros à nossa volta acerca do que comunicamos.
Pode-se mesmo afirmar que a interactividade é uma característica da sociedade (entenda-se aqui sociedade por contacto estabelecido entre dois ou mais seres humanos).
A comunicação, essencial à interacção humana, pode ser mais ou menos controlada mediante treino do seu uso. Aqui a comunicação digital não foge à regra, sendo mais ou menos controlável consoante a aptidão do comunicador em causa e os meios digitais que usa (imagem, som, vídeo, texto, etc.).
O factor menos controlável na comunicação digital é o seu alcance. Tomemos por exemplo uma informação colocada num site da Internet. Dificilmente se pode “seleccionar” quem tem acesso a ela. Há, então, que ter maior cuidado em definir com a máxima exactidão a informação que se veicula.
Esta é, simultaneamente, a maior vantagem e a maior desvantagem da comunicação digital (pelas razões já enunciadas). Um outro factor que pode jogar em seu desfavor é a necessidade de acesso a tecnologia para poder comunicar desta forma. Este facto exclui uma grande parte da população mundial desta forma de comunicação.
Por outro lado, como reverso da medalha temos o aliciante de que a crescente tendência para a baixa de preços das tecnologias de informação e comunicação vai facilitando cada vez mais o acesso a estas por populações menos abastadas (e creio que devemos ser optimistas em relação ao futuro da humanidade, devendo não só procurar, mas também divulgar um tempo em que todos sejam mais contemplados pelos recursos globais).
Claro que esta comunicação verdadeiramente global pode ser tida como uma ameaça, já que tudo ecoará por todo o lado, e qualquer pessoa poderá opinar sobre as mais variadas matérias.
É perigosa? Sim, mas especialmente quando usada de forma a procurar fazer mal. Se for usada em prol do desenvolvimento e da justiça, espera-se que apesar de choques ideológicos e outros percalços mais graves (que certamente surgirão), nos aproxime desses ideais, e que a confluência de diferentes pontos de vista traga riqueza pela sua diferença, e abra caminho a novas e melhores soluções para os problemas do Mundo, e em especial, da Humanidade.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Apresentação

Ao 19º dia do mês de Setembro do corrente ano de 2007, foi fundado o presente Blogue, por dois alunos da cadeira de Comunicação Digital.
Luís Mota e João Pires, constituindo-se como grupo de trabalho, foram desta tarefa incumbidos pela Docente da cadeira.

Após criteriosa escolha de um tema que a ambos aprouvesse, foi encetado o apuramento do título a usar como marca deste Blogue.
Foi tomado como ponto de partida o gosto, comum aos membros, pela música e havendo-se pesquisado por nomes de canções, optou-se por "Gente em Pó", título da extinta banda "Ornatos Violeta".

Como projecto académico que este é, propomo-nos a apresentar, juntamente com as solicitações feitas pela Docente responsável, tudo o que seja tido como relevante na sociedade actual e, também, com especial atenção ao que concerne à cadeira.

Com o intuito de dar maior enfoque ao conteúdo do que aqui for publicado, optou-se por um layout e um esquema de cores sóbrio e minimalista, criando assim um ambiente propício a uma comunicação mais directa. Em suma, pretende-se manter assim os leitores mais ligados ao assunto desenvolvido.


LM & JP